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#carlos drummond de andrade
untilnevermore · a day ago
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As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou de mais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.
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cascos-e-caricias · 3 days ago
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A FLOR E A NÁUSEA
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar esse tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. Crimes da terra, como perdoá-los? Tomei parte em muitos, outros escondi. Alguns achei belos, foram publicados. Crimes suaves, que ajudam a viver. Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal. Os ferozes leiteiros do mal. Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim. Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima. Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. Carlos Drummond de Andrade, in: A rosa do povo, ed. Companhia das Letras
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nsantand · 3 days ago
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Carlos Drummond de Andrade – Os mortos
"Os mortos", um poema de Carlos Drummond de Andrade
Na ambígua intimidade que nos concedem podemos andar nus diante de seus retratos. Não reprovam nem sorriem como se neles a nudez fosse maior. Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui
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im-perfeitament3 · 11 days ago
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no milímetro que nos separa
cabem todos os abismos.
Carlos Drummond de Andrade
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richardanarchist · 24 days ago
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XV
a Carlos Drummond de Andrade
A rosa do amor perdi-a nas águas.
Manchei meus dedos de luta naquela haste de espinho. E no entanto a perdi. Os tristes me perguntaram se ela foi vida p’ra mim. Os doidos nada disseram pois sabiam que até hoje os homens dela jamais se apossaram.
Ficou um resto de queixa na minha boca oprimida. Ficou gemido de morte na mão que a deixou cair.
A rosa do amor perdi-a nas águas. Depois me perdi no coração de amigos.
Hilda Hilst
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hinayanas · 26 days ago
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segredo
A poesia é incomunicável. Fique torto no seu canto. Não ame. Ouço dizer que há tiroteio ao alcance do nosso corpo. É a revolução? o amor? Não diga nada. Tudo é possível, só eu impossível. O mar transborda de peixes. Há homens que andam no mar como se andassem na rua. Não conte. Suponha que um anjo de fogo varresse a face da terra e os homens sacrificados pedissem perdão. Não peça.
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luizabmo · 28 days ago
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Confissão
Texto baseado no poema de mesmo nome de Carlos Drummond de Andrade
Encarei aquele papel novamente, procurando as palavras certas, as frases que soassem bonitas, mas eu não conseguia. Fazia tanto tempo, ela já devia ter esquecido, certo? Eu deveria apenas seguir em frente. Baixei meus olhos para o lixo com pequenas bolinhas de papel amassadas, todas fruto da minha mente confusa. Nenhuma palavra seria o suficiente para descrever tudo o que sinto, tudo havia acabado.
Mesmo assim lembro-me do dia em que nos conhecemos. Pequenos, mal sabíamos o que era amor. Brincávamos juntos, todos os dias após a escola. Às vezes ela implicava para fazermos brincadeiras femininas, às vezes ela aceitava jogar futebol no campo ao lado da minha casa, mesmo não gostando muito dos meus amigos.
Não amei bastante meu semelhante,
não catei o verme nem curei a sarna.
Só proferi algumas palavras,
melodiosas, tarde , ao voltar da festa.
Estava tudo tão óbvio, ela não escondia seus sentimentos tão bem. O carinho dela sempre esteve presente, e o ciúmes também. O dia em que fiquei com outra. Não tínhamos nada, mas mesmo assim ela sofreu. Disseram suas amigas que passou uma noite em claro, com todos seus sentimentos sufocados dentro de seu coração. Eu não queria acreditar, negava. “Não existe sentimento nenhum, vocês estão loucos” era o que eu pensava, mas o louco era eu, por não aceitar. Eu estava cego.
Dei sem dar e beijei sem beijo.
(Cego é talvez quem esconde os olhos
embaixo do catre.) E na meia-luz
tesouros fanam-se, os mais excelentes.
Nossas personalidades ficaram totalmente diferentes. Ela se tornou uma bela mulher, doce, inteligente. Sabia que não necessitava de um homem para ser feliz, e enquanto suas amigas namoravam, lutavam pelo amor de um garoto, diziam que não queriam “ficar para a titia”, ela não se importava. Tinha total consciência que tudo levaria seu tempo, era independente. Enquanto isso eu, um completo vagabundo, queria aproveitar as oportunidades que a juventude me dava. Isso significava várias festas, brigas, bebidas, tudo para se sentir superior. Se pelo menos fosse tudo por minha própria vontade e não para ser o melhor homem. Várias apostas, corações quebrados, tudo para nada.
Do que restou, como compor um homem
e tudo o que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, múrmurios
de riso, entrega, amor e piedade?
Isso tudo só teve fim quando fiz a pior escolha da minha vida. Poderia negar, mas não o fiz. Apostei que conseguiria ficar com ela, a tal garota que sempre gostou de mim e estava comigo nos piores e melhores momentos. Tínhamos nos afastado, sim, mas ainda havia uma ligação entre nós, sempre nos lembraríamos um do outro. Mas nesse momento ela já não deve mais lembrar-se da minha existência, e nem queira. Apostei-a, enganei seu coração. Tudo corria bem, talvez eu finalmente estivesse sendo conquistado pelo seu jeito amável, mas ela descobriu. Não tive forças para contar a ela a verdade, deixando-a descobrir por si só. Traição, eu havia a traído fingindo amá-la no começo. Mesmo que tudo estivesse mudando e meus sentimentos começassem a ser verdadeiros, ela não queria mais me ver. Excluiu minha existência de sua mente. Eu já não era mais vivo em seu coração. Eu não teria mais uma das coisas mais importantes em minha vida.
Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro -vinha azul e doido-
que se esfacelou na asa do avião.
E depois de todas aquelas ilusões, eu havia sido iludido por mim mesmo. Passei dias tentando me convencer de que não era o culpado da história, tentei ignorá-la o máximo possível, conheci novas pessoas, me diverti, ou pelo menos tentei. Porém eu não poderia mais me enganar. Se a culpa não era minha, de quem era? Dela por cair nas minhas mentiras? Creio que não. Tudo havia começado por minha causa e, não poderia negar, meus amigos também tinham as mãos um pouco sujas.
Afastamo-nos completamente. Alguns dizem que ela seguiu em frente e que já possui um noivo, outros dizem que o amor dela era tão grande para acabar assim. Eu prefiro pensar na primeira opção. Era uma menina independente, inteligente, certo? Além disso, eu a conhecia desde que éramos crianças, ela nunca voltaria para quem lhe fez mal, não era alguém de dar segundas chances.
Eu nem mesmo sei se ainda a amo ou se é apenas frustação pelo mal que causei. Acho que não sou um homem feito para o amor, o amor é algo complexo que eu nunca irei entender. Apesar disso, tenho certeza de que ela é o mais próximo que eu cheguei de amor, e poderia tê-lo atingido caso não fosse a aposta.
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comporsilencios · 28 days ago
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Saber que ainda há  florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
~ Drummond
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nsantand · a month ago
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Carlos Drummond de Andrade – Ciência
"Ciência", um poema de Carlos Drummond de Andrade
Começo a ver no escuro um novo tom de escuro. Começo a ver o visto e me incluo no muro. Começo a distinguir um sonilho, se tanto, de ruga. E a esmerilhar a graça da vida, em sua fuga. Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui
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livrari · a month ago
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Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
- Mistério profundo -
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho
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intransponivel · a month ago
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alguma poesia (1930) - carlos drummond de andrade
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intransponivel · a month ago
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alguma poesia (1930) - carlos drummond de andrade
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ilmattinohaloroinbocca · a month ago
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Soave bocca errante
in superficie fino a trovare il punto
ove t’aggrada cogliere il frutto a fuoco
che non sarà mangiato ma fruito
finché non s’esaurisce il succo caldo
e lui ti lascia, o tu lo lasci, flaccido,
ma rugiadoso di bava di delizie
che frutto e bocca si permettono, dono.
Bocca soave e saggia,
impaziente di succhiare e segregare
intero, in te, il tallo rigido
ma folle di piacere al confinarsi
nel limitato spazio che tu offri
al suo volume e getto appassionati,
come puoi diventare, così aperta,
ricurvo cielo infinito e sepoltura?
Soave bocca e santa,
che piano piano vai sfogliando la liquida
schiuma del piacere in muto rito,
lenta-leccante-lecchillusoriamente
legata alla forma eretta quasi fossero
la bocca il frutto, e il frutto la bocca,
no, basta, basta, basta, basta bermi,
uccidermi e, da morto, vivermi.
So già cos’é l’eternità: é puro orgasmo.
Carlos Drummond de Andrade
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brisa-ventania · a month ago
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Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão.
Algumas palavras duras, em voz mansa, te golpearam. Nunca, nunca cicatrizam. Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve. À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros.
Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas. Estás nu na areia, no vento... Dorme, meu filho.
Antologia Poética,                      Carlos Drummond de Andrade
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brisa-ventania · a month ago
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A Música Barata
Paloma, Violetera, Feuilles Mortes, Saudades do Matão e de quem mais? A música barata me visita e me conduz para um pobre nirvana à minha imagem.
Valsas e canções engavetadas Num armário que vibra de guardá-las, No velho armário, cedro, pinho ou...? (o marceneiro ao fazê-lo bem sabia quanto essa madeira sofreria.)
Não quero Handel para meu amigo Nem ouço a matinada dos arcanjos. Basta-me O que veio da rua, sem mensagem, e, como nos perdemos, se perdeu.
                                Antologia Poética,   Carlos Drummond de Andrade
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hellishcreature · 2 months ago
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This post by @bakwaaas /  The child is gone - Fiona Apple / Frances Ha - Dir. Noah Baumbach, 2012 / Wild time - Weyes Blood / Untitled -  Keith Haring, 1982 / Consolo na praia - Carlos Drummond de Andrade
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artetralerighe · 2 months ago
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🌸 Ogni giorno che vivo,
mi convinco sempre più
che lo spreco della vita
è nell’amore che non diamo,
nelle forze che non usiamo,
nella prudenza egoista che non rischia mai,
e che, schivando la sofferenza,
fa perdere anche la felicità.
🦋 Carlos Drummond de Andrade
ꨄ᪥ꨄ🥀ꨄ🥀ꨄ᪥ꨄ
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becoldbehappy · 2 months ago
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Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. (Carlos Drummond de Andrade)
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intelligentdeviant · 2 months ago
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from 'Declaration of Love'
"If you search well, you end up finding
not the (dubious) explanation of life,
but the (inexplicable) poetry of life."
[Carlos Drummond de Andrade]
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