Tumgik
substanciafluida · 3 years
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Abri as portas do meu coração e pavimentei as ruas do meu sentimento para dar conforto aos seus pés.
Cobri meus braços com avencas para que você se sentisse abraçado pela pele do vento.
Me preparei e te esperei chegar para um gole de café e um pão com geleia.
Procurei na minha emoção e encontrei um vasto repertório.
Escolhi para você o sorriso e o meu melhor abraço.
Andei léguas para frente para te contar as novidades, vasculhei os baús do mundo para dividir com você os segredos do Tempo.
Por tudo isso concluo que te amo.
Agora vou consertar a fechadura do portão… que de tanto lhe esperar enferrujou.
Vou reformar a pavimentação… a chuva ácida da espera abriu crateras.
O café … esfriou… o pão adormeceu e enquanto dormia desfigurou a geleia.
Meu sorriso se abraçou com as avencas e me acolheu da ácida chuva da espera. Dei-me conta que o meu sorriso aprendeu a rir, rir sempre. Agradeci a ele.
Enquanto aguardava repetia para mim as novidades do futuro e os segredos do Tempo… aprendi velhas lições e suas novas roupagens…
Por tudo isso conclui que me amo e que de fato o Amor existe.
Estou arrumando a mala, selecionando a bagagem, as lembranças.
Assim que consertar a fechadura, reformar a pavimentação…
Vou colocar o pão no forno, a água no fogo para passar o café e escolher figos para fazer a geleia…
Vou escrever e entregar para a minha amiga Marcia Soares para nos refrescarmos nas avencas entre pães, café e geleia e sorrirmos para Ventos Antigos.
Assim, concluo que eu te amo.
Halu Gamashi
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substanciafluida · 4 years
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A VIDA DE MESTRE LANTO
Eu nunca quis as honrarias do mundo dos homens, porque sempre soube que elas seriam tão passageiras como as nuvens.
Eu nunca quis os amores e as paixões, que, além de violentar o espirito, também violentam a alma e despertam desejos. Eu não quis porque sabia que amar, para mim, teria de ser algo infinitamente mais profundo do que apenas conhecer a paixão do corpo, os instintos que cada um pode perceber, pois até os animais copulam em busca do prazer do sexo.
Eu quis o amor… O verdadeiro amor.
E eu sei que nem sempre esse amor é fácil de ser encontrado e partilhado.
E em meio a profundos desencantos, segui por um caminho que não sabia por onde me levava. Sequer eu saberia dizer a vocês o que fiz. E à medida que caminhei, os meus sapatos se romperam: e quando me vi descalço, me apercebi do tempo que tinha levado nessa estrada sem destino. E sem olhar a minha aparência, sei que os meus cabelos cresceram, que a barba apareceu no meu rosto, que havia pó de baixo das minhas unha, e que estava renunciando, Tanto andei, que não tinha mais consciência dos meus passos. Há muito havia passado a sede, a dor em minhas pernas, o cansaço nos meus braços.
Há muito havia passado também as lembranças de minha casa, a lembrança do meu, meu, meu… O que era meu?
Eu não tinha nada. Eu renunciei sem saber a que, por que, se nada tinha, a que renunciei?
E quando no meu caminho vi muitos outros como eu, homens, que não tinham amado, que não tinham criado família, que não tinham seguido os desafios do mundo da carne, eu me perguntava:
A que eu renunciei?
A que eles estão renunciando?
Quem são eles e quem sou eu?
Muito me perguntei. E muitas vezes, quando a minha língua estava seca e nem uma gota de água eu sabia onde encontrar, eu me perguntei: a que eu renuncio?
A quem eu deixo de falar, se a minha mente é mais feroz do que um abutre?
A que verdadeiramente eu estou renunciando?
Eu era muito jovem. Eu tinha um corpo muito saudável.
‘- Você é o seu Eu, com este sentimento, pensando, profundamente, na renúncia – uma renúncia que eu não escolhi, mas que veio andando comigo, caminhando comigo – como eu transcorria. Aos mesmos passos que eu andava, eu renunciava, sem saber o que fazia.
E percebi que não renunciava, mas que fugia.
E percebi que, se calado eu estava, era porque não tinha com quem conversar.
E então, comecei a fazer o caminho de volta. O caminho de vocês. O caminho de cada um de vocês, Eu fui voltando a ser homem. Fui voltando a ter desejos. Fui voltando a ter desejos. Fui voltando a ter sonhos e não apenas aflições. Fui voltando a ter sorrisos e não apenas lágrimas.
Eu percebi que a vida não deve ser renunciada e nem os prazeres esquecidos, porque eles voltam, com uma voracidade tão grande, que podem me consumir ao invés de guardá – los em meu bolso, puído e esfarrapado.
E, num dia de muito sol, senti o quanto eu estava equivocado, dentro das minhas sombras, do meu orgulho, da minha pretensão e do meu medo. E, nesse dia, a consciência da Chama Dourada caiu sobre mim, e na minha frente apareceu um Mestre.
Ele era muito menor do que eu. Fisicamente, era apenas um homem pequeno. Mas a sua Alma reluzia como reluzem as grandes almas.
E a isso o meu coração palpitou. E como se fosse um gongo, uma campainha vibrou dentro de mim.
E ele me disse:
‘ – Quer ser Deus, meu filho?’.
E eu me espantei muito com aquela pergunta. E eu respondi:
‘- Sim!’.
Eu nunca havia pensado em ser Deus, mas disse sim.
Naquele momento, que pareceu horas, eu pensei: ‘Deus não sofre, Deus não tem que ganhar a vida, Deus não tem que ter dinheiro, Deus não tem que ter família, Deus não tem mulher, Deus não tem filhos… Eu quero ser Deus!’.
Ele olhou para mim, sorriu e disse:
‘- Seja apenas homem… Apenas homem!’.
E com essas palavras, da mesma forma que ele do nada surgiu, ao nada voltou.
Eu não podia me apresentar imundo, do jeito que estava em nenhuma cidade, porque assustaria não apenas as mulheres que eu estava desejando no meu intimo, mas também as crianças e os cachorros. Quem iria ficar perto de um indigente imundo como eu estava?
Eu me banhei num rio, E as águas antes claras – o rio era pequeno – ficaram imundas com a minha presença.
E ali, mais uma vez abençoado pela Chama Dourada, este mesmo mestre apareceu, flutuando sobre as águas, e ele me disse:
‘- Você não quer ter dificuldades?’.
E eu rapidamente disse:
‘- Não, eu não quero dificuldades!’.
E ele me disse:
‘- Então, acaso, meu filho, recusas a vida?’.
Eu não compreendi. Mas tão aturdido estaca, lavando – me, livrando – me dos piolhos, tirando de mim mesmo uma aparência que eu não tinha, que não o vi desaparecer como da primeira vez,
E assim, limpo, eu continuei caminhando.
Como não podia cortar os meus cabelos eu os prendi nas costas. E andei com o desejo de não mais ferir os pés.
Andei, esperando que alguém de boa vontade me desse uma roupa, uma túnica, para que eu pudesse novamente apresentar – me na sociedade.
E numa noite, quando eu não tinha o que comer, de novo ele veio, e das suas mão surgiram biscoitos, os mais deliciosos, os mais deliciosos que eu já havia comido. E ele disse:
‘- Lembras da tua mãe?’.
E eu lembrei da minha mãe. Lembrei da humanidade da minha mãe, Lembrei dos erros da minha mãe. Mas isso fazia tanto tempo, que lembrei também dos acertos. Eu lembrei do aroma da comida dela, eu lembrei do carinho. Eu lembrei que ela me deu o corpo, que ela me emprestou a chance de viver. E eu disse:
‘- Sim! Perdão, mestre. Perdão, porque eu quis fugir, por ser incapaz de amar.
Perdão, porque eu quis transformar o mundo, ao invés de me transformar.
Perdão, porque eu quis ser mais o outro… um outro que eu criei para mim, do que eu mesmo’.
E ele me disse:
‘- Percebes que traíste a ti mesmo?’.
E ai as lágrimas vieram aos meus olhos, e eu não pude mais conter. E, mais uma vez, pedi perdão… Perdão por fugir, perdão por minha falta de coragem, pela minha falta de Fé… Perdão por ter sido tão pouco, e não ter desejado, ter aceito ser homem!
E, num gesto de luz, ele me tocou e eu me vi vestido com as mais velas vestes. Uma túnica dourada, enfeitada de vermelho.
Eu parecia um rei, Eu me sentia um rei.
E dos meus cabelos lavados, e ainda empoeirados da estrada, ele fez uma trança. E me disse:
‘- Você é o seu único poder!’
‘- Você é o seu único amigo!’
‘- Você é a sua única força!’
‘- Você é Deus!’
E, quando ele tocou meu coração, eu me senti como o próprio Deus.
Aquele no meu caminho era a expansão do próprio mestre Buda. E ele disse que, quando eu estivesse velho, eu seria também um Mestre. Mas que, antes, eu precisava ser Homem.
E contando a minha história, eu digo a vocês, que foi muito, mas muito difícil, ser homem, aceitar a minha humanidade, aceitar os meus desafios, aceitar as minhas m[as qualidades para transforma – las. Tudo isso foi muito, muita mais difícil do que me tornar um Mestre.
Hoje eu sou Lanto, mas eu já fui homem, eu já fui sombra. E venho, como meu nobre amigo disse, incentivando vocês a plantar a suas maçãs.
Sugiro, meus filhos: vivam como nobres… Nobres almas, nobres destinos, nobres esperanças, para um mundo de realizações.
Aceitem ser homens, para se tornarem mestres!
Esta é a minha mensagem.
Coragem, aventura, amor, expansão da luz e dignidade!’.
https://www.google.com.br/amp/s/templodosanjos.wordpress.com/2012/01/11/mestre-lanto-a-historia-do-homem-a-sabedoria-divina/amp/
Texto retirado do Livro Os Sete Mestres da autora Maria Silvia Orlovas
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substanciafluida · 4 years
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“A mulher à soleira da porta
Há uma mulher que espreita à soleira da porta com olhos famintos e imensos
Eu a vejo arranhar do batente a madeira, mastigar as unhas, morder os lábios e apertar a nuca
Mas ela nunca atravessa a maldita porta, fica presa à soleira, colhendo as migalhas que até a ela chegam, sem nunca saber o gosto de comer o fruto inteiro
Queria que ela desse o passo final e largasse o batente da porta
Abandonasse a tímida vela que nada ilumina além de si mesma, e se lançasse a escuridão do quarto usando o tato e o faro para guiar seus passos
Mas ela não se move e a coragem que lhe falta me enerva
Por isso golpeio com meu desprezo
Mas ela permanece à espreita, sem afastar um passo, sem nada entregar de si mesma”
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substanciafluida · 4 years
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substanciafluida · 5 years
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I'm too numb to feel pain
I'm too grown to play this game
How'd I get here?
You're too young to fall in love (fall in love)
Too dumb to give up
How'd we get here?
I can see it in your distant eyes
The things you tell yourself is lies
I swear you wanna compromise
But then again what do I know?
You tell me I should take my time
That we should both go live our lives
See I don't wanna cross no lines
But there's just one thing you should know
And it's alright if you are, you can stay (hey)
Take your time 'cause you know that I'll wait
I'll wait patiently
Through sunshine and rain
Cigarettes and shame
Somehow I got here
You tell me enough's enough
Then you're gone again and hit me up
Tell me what's going on here
Just drink a little more red wine
Come on baby let's unwind
We can watch another sunrise
But then again, what do I know?
See I don't wanna change my mind (change my mind)
And I don't want to leave you behind (leave you behind)
Never wanna compromise
But there's just one thing you should know
That it's alright if you want, I can stay
No, I can stay (yeah)
Take your time 'cause you know that I'll wait
I'll wait patiently
Patiently
I said patiently
Take your time 'cause you know that I'll wait, yeah
I'll wait patient
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substanciafluida · 6 years
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substanciafluida · 6 years
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"
Se haver com a falta de quem?
Falta de quem não fala
Falta de quem não fala que faz falta
Falta de quem falta falar
Falta de quem não fala das suas faltas
Me faltam as vezes tuas falas. Sou um curioso das falas falhas, das faltas presentes. Na ausência da falta, falham as falas, falta-me substância.
Ora, quem há de se haver com minha falta?
Quem quer saber das lamúrias, das angústias?
Ninguém é obrigado. Nem por isso deixo de incomodar. Falo das minhas faltas, das minhas falhas e sei como isso é um saco as vezes.
Me interesso pela falta, pela falha, pela fala.
Gosto de falar, gosto de ouvir, gosto mais ainda de escutar. Agora se te faltam palavras pra falar das tuas faltas, me falha nossa ponte.
Sem ligação, sem conexão, sem telefone ou rede social que mascare esse desencontro, falho em compreender."
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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“assigning genders to babies is wrong”
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substanciafluida · 7 years
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substanciafluida · 7 years
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Love flows. Love doesn’t know boundaries. The mind creates boundaries. The mind creates the boundary of separate me and you. The heart just keeps embracing and opening out.
Ram Dass (via aspiritualwarrior)
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